quinta-feira, 27 de março de 2008

Vírgula

não sei usar vírgulas
elas me atrapalham
seu respiro ponho vírgula
e se estou ofegante:
haja vírgulas. Quando estou "bradi" e calma
emendo tudo...
como não confio no meu rítmo
respiratório aboli as vírgulas
assim não passo vergonha
nem me afogo nem me afobo.
Pronto. Resolvi.
quero usar só ponto final
pra dizer nas entre linhas
sem vírgulas ou entre vírgulas ou ponto e vírgula
aquilo que o coração dita e edita.

domingo, 16 de março de 2008

Piaf

assisti ao filme
que conta a história de edith piaf
piaf, quer dizer pardal
e qual um pássaro, viveu Edith...
frágil, beirando a morte da alma!
mas, poderosa, era a sua voz...
esta, ninguem pode roubá-la
conviveu com perdas e desamor,
não era nada a criança de rua...
mas Deus se fez presente:
a voz destoava do frágil físico,
entoava enorme,nas canções
do desafeto e da dor...
e ecoou no universo,
e o mundo a conheceu,
e como pardal, viveu no equilíbrio do fio,
que sustentava o corpo e a mente ,
no limite da sanidade e da loucura!
no limite da vida,
Edith criou, cantou,
elaborou com a arte
o passaporte para a sobrevivência,
o suporte para a dor,
o reconhecimento do limite
entre o mal e o bem
ou quanto ambos, foram necessários.
Não importa o grande rombo
interior, o estrago , os desafetos,
as rejeições,os maus tratos, as ausências...
a voz imponente, rompe no Universo,
todos os horrores vividos...
e a platéia pede bis...
e Edith no palco, esquece sua dor.

terça-feira, 11 de março de 2008

Inês

Inês faz poesias,
fala do amor pela vida,
dos segredos do amor
e da alma feminina...
acho que a conheço há tempo,
pelo jeito de sentir
e enxergar o mundo!
parece companheira,
atrevida, intuitiva
consulta o seu interior
e conversa com ele...
tem alma de artista,
e como a maioria das "Inêses"
é bonita, cabelos e sorriso de Inês,
leves, soltos, sem medo de ser...

"Cala-te coração,
não acalente saudades.
Vigia a arte de passar..."

Inês, que conversa com o seu coração,
poetizando seus desejos:

"pulsa forte em descompasso,
busca força e energia,
não reprimas o desejo de amar"

Inêses, Clarices, Cecílias, Anas,
Sarahs, Lígias e mais tantas...
as almas femininas,
colhendo nos aventais,
as palavras em versos...
e a comida quentinha, e os filhos criados,
e a casa bela para o aconchego,
e o companheiro
na espreita do "Self"
da sua mulher, fêmea "dual"...
Inês que ama a vida:

"Amo tudo o que nela existe,
Amo o sol e as estrelas
Amo a chuva caindo,
Amo o vento soprando"

e que conversa com os sonhos:

"baixinho direi tudo
o que vai dentro de mim."

Inês que sabe da dor,
da vida, do amor e me empresta
otimismo e ousadia:

"ultrapassar montanhas, muros e pontes"
na busca do que o coração clama"

Inês, poetiza, autografou o meu coração...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Recado

o pior da vida
é viver todos os dias iguais,
ou não vivê-los...
o pior dos sonhos é o não sonhado,
o pior da dor é não encontrar o remédio,
o pior da prisão é aquela sem grades,
não recua no meio do caminho,
atravessa o rio ,
mesmo que não haja pontes,
abra todas as portas da casa desconhecida,
conheça os incômodos cômodos,
vá de um canto a outro, vasculha,
abra as janelas
e canta as novas canções
despertando a felicidade...
não murmura, GRITA!
ousa, procura as respostas...elas estão aí...
bem guardadas no cofre da mente
siga a sua intuição...não deixa para amanhã!
a felicidade não conhece o futuro
e não permanece no passado,
ela deseja e só conhece o presente.
Vá em frente, enfrenta!
o cansaço do tempo, não quer mais esperar...
A felicidade?
boceja, adormece, silencia
e as vezes se despede
por ter sido ignorada,
despejada nos supérfluos
que inventamos, dia após dia,
no engano de continuar
a viver sem ser feliz!
nas nossas mãos , está ela
pronta para dizer adeus a solidão ...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

desconhecido

na praça só estávamos eu, Ana Júlia , Bob Marley
e um ilustre desconhecido...
o sol estava tão quente
que mesmo nos ajeitando no banco de madeira sob as árvores
não nos acomodávamos...
passamos de um banco para outro
em busca de mais conforto
e acabamos nos sentando em frente
ao desconhecido:um homem com idade que poderia ser de 30 ou 50 anos
dormia, com muitas sacolas sob o banco,
mal cuidado no jeito de se vestir
e com sapatos lhe calçando os pés sujos.
O Bob não deixou barato.
Na curiosidade de cão,
deu-lhe aquela "cheirada"
que pode significar - "muito prazer"
ou "quem é voce, de comportamento não costumeiro?"
Assustado, o agora conhecido do Bob,
acordou, foi até a torneira da praça;
lavou o rosto, os braços e... os pés calçados!
"Ele não morde" eu disse para despreocupa-lo.
Pronto!Estabelecemos um canal de comunicação:
"estou vindo de Minas à pé... andei muitos Km...
estou descansando para continuar..."
E prá onde? perguntamos...
"mundo afora... eu e Deus... (apontando o céu)
estou esperando o sol "baixar"... o calor judia..."
e ficou prestando atenção no Bob e outros cachorros
com seus donos...comentou sobre eles...
com o ar sábio , olhando uma jovem, bem acima do peso,
que passava pela calçada, comentou:
"veja isso, como pode ficar assim?"
"deve comer tudo o que encontra pela frente...
"será que ela não percebe?"
Eu e a Ana Júlia , surpresas com o comentário...
"é... isso não é bom..."
"eu, tomei o meu café da manhã, nem almocei ainda!"
a gente come só quando tem fome...
"Olha a moça! que coisa!"
despedimo-nos do desconhecido
que tem Deus como companhia,
na sua viagem interminável ... no seu enorme mundo
e voltamos com o Bob para o nosso pequeno espaço,
nos questionando: parece sábio o homem
que vive só neste mundão de Deus!


    domingo, 17 de fevereiro de 2008

    Reencontro

    Canto as cantigas
    para enfeitar o reencontro dos amigos!
    um céu azul, pouco sol,
    harmonizando o encontro ao redor
    da mesa redonda.
    Encobria- nos de flores e de verdes,
    o jardim feito e cuidado pela dona da casa...
    Nesse ambiente de paz,
    o tempo não havia passado...
    se amigos se tornam irmãos, ali estavam os meus irmãos
    perpetuei aquele momento na memória,
    onde ficam as bagagens do amor...
    a dona da casa, fez macarrão e bolo de tapioca,
    aquele que eu gosto muito , e tem o sabor da sua vida:
    perfeito, não muito doce, nem sem doce - na medida!
    Ela decide a vida e pronto! Está decidido...
    mantém o seu jardim, a sua casa, os seus filhos,
    e a ela mesma, com uma força incomparável,
    ela é dona dela, contrói as trilhas do seus caminhos
    e deixa a sua marca...corajosa nas suas decisões
    supera, renova, e persegue as suas intuições...
    isso é o que ela me ensina, dia a dia...
    não tenho como retribuir...
    penso em suas dores superadas, descartadas...
    sou pequena para ousar...Grande Dedé!
    à sombra das plantas coloridas,na mesa redonda com bolo e café
    encontro no olhar azul, a amiga que me inspira bondade
    questiona e me ampara ao mesmo tempo,
    parece mais frágil mas, sempre foi dona da sua vida,
    se enfeita ,se veste de cores, me acalma,
    é cuidadora... sem notar, cuida de mim
    Receptiva, para o que vier, a Célia ,
    sem usar açúcar mas com muito afeto,
    está sempre com o coração pronto para me acolher!
    no verde das folhas despejando bem estar, está
    aquela que me passa simplicidade e beleza...
    "quero você bonita, feliz, alegre.."
    também desejo a você, meu bem... e mais que isso:
    há de romper com as amarras e ficar livre para um grande amor!
    e assim, misteriosa, a Ivani está conosco...
    de peito aberto, sorriso largo, na diagonal da mesa,com alguns raios de sol atravessando a folhagem e lhe caindo sobre o rosto, está o Paulo,
    que me acompanhou a vida toda... esteve nela!
    conta os contos de sua vida riquíssima, comparada a minha:
    não se deteve nos pequenos espaços, viajou o mundo,
    destrancou-se , livrou-se da vida "micro"
    e sem medo vai de norte a sul, de leste a oeste:
    passou longe das correntes, algemas, das amarras
    é inteiramente livre ...
    e me compreende como quando criança:
    há muito tempo quis endireitar o meu dedinho torto, com uma martelada:
    " não chore, eu ponho gelo e seu dedo fica consertado..."
    dessa vez, não martelou o meu dedo...
    a leveza , as palavras tão claras, e o quanto sabe de si,
    respinga em todas nós um sentimento de alegria e admiração!
    ele me protege, sem se dar conta...
    domina a sua vida, toma conta dela!
    Dia de paz...no reencontro não programado,
    dos amigos irmãos, na casa da Dedé...

    sábado, 9 de fevereiro de 2008

    Amy

    Talento e tormento
    O que é que te faz assim, menina?
    Tão bela,tão frágil, tão viva e tão perto da morte?
    que mundo é esse que voce inventou?
    como pode criar e se destruir?
    como pode cantar e se envenenar?
    com voz "blusada" voce brinca com a melodia,
    faz e desfaz do agudo
    e do grave perfeito, no timbre
    que é só seu..
    e só seus são os 20 anos vividos,
    cantados, bebidos nos copos dos palcos...
    que tanta graça no jeito de ser?
    nos cabelos inventados,
    nas roupas de boneca que te veste
    para o palco do mundo...
    por que tanto desamor e descuido com voce
    se pro mundo voce escreve,
    e melódicamente canta o amor?
    Amy Winehouse ...a voz jovem
    que o mundo descobre,
    e procura dar sentido para
    os becos, ecos, sons,
    entoados no obscuro caminho
    sem volta...
    se eu pudesse, menina,
    te mostraria o outro lado:
    a platéia que voce presenteia ,
    o brilho e a grandeza
    da estrela cadente,
    que cai "black"!
    No, no, no...