quarta-feira, 18 de abril de 2012

cirurgia

enquanto lá fora
a vida corre
dentro de mim, ela foge.
Hoje sou menos.

sábado, 31 de março de 2012

giros

Volta o outono.
O tempo muda.
a terra gira
como eu girando
em torno de mim.
só com os livros,
só com os estudos.
e a júlia pergunta:
Vó, o que é que você está estudando?
"metodologia científica"
Pra que serve?
estudar como se escreve um assunto científico
você vai ser cientista?
não.
então, pra que?
e o outono está de volta
e eu em torno de mim,
e no entorno, netos e filhos
perguntando o que não sei responder.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

sem tempo

o tempo 
destempera.
na falta dele
fico na espera
do amigo
que alerta!
Alaor  lerá

quinta-feira, 23 de junho de 2011

João e a praça

eu e o João fomos à praça
 e o mundo ampliou-se nos olhos do joão
viu os canteiros de flores coloridas,
não perdeu de vista o Bob Marley (cocker spaniel)
atravessava o olhar perplexo na correria das crianças,
nas árvores, no céu...
vixe, quantas cores, quantos sons...
com quatro meses, balançou na gangorra
e o olhar foi de um grande herói buscando
a aprovação e o orgulho de sua mãe.
"juão homê de Deus" diz a mãe brincalhona ...
e o João , cisca tudo, não perde nada.
até que, cansado por tanta emoção e felicidade,
recosta nos meus braços e dorme um sono tranquilo...
tarde criança, tarde alegre

só pra mim

em Junho há primavera em nova Iorque.
lá flores, aqui frio e pó
em paris as folhas começam a cair
e nos polos, gelo.
adapto-me em qualquer lugar:
no sul, leste norte ou oeste
em qualquer hemisfério.
não me importo com a longitude e latitude.
pra lá , tá bom.
para além , ta bom
logo ali, OK
sem norte, melhor
no cume das montanhas do Himalaia, tá bom
no buraco da mina, também
nem ligo. Nem tô.
mas por favor, me deixem comigo,
com os meus pensamentos, minha vida , meus sonhos,
meu jeito de ser,
meio bicho, meio gente
meio nada , no imenso prazer da solidão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

In memoriam

a vida fragilizada
te leva pro ar, pro além de nós
sem marcas, sem rastros, sem queixas
pra terra, pro verde da plantação...
a vida dá brecha pra morte e não explica.
No ar estou eu , estamos todos.
que marcas deixaria? qual código temos que decifrar?
nem flores, nem amigos, nem choros...
o sofrimento calado no peito de todos.
Por que?
silêncio...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

janeiro e fevereiro

 o amor
se mistura
com
melado,
choros,
madrugadas,
fraldas,
banhos, dores,
palavras
e cantigas de ninar.
janeiro e fevereiro
novinhos em folha
meiguice de Maria
tranquilidade
de João.