domingo, 22 de agosto de 2010

Oi, Como vai?

senti saudades
está muito difícil te reencontrar...
voce se embotou,
diminuiu,
sumiu.
não sobrou coragem.
aliás,
nem sei porque retornou
ajeita-se no porão do inconsciente
aquieta-se
nem pablo, nem pessoa
neste tempo, a vida estacionou.

domingo, 14 de março de 2010

Até...

do lado de cá
sem novidades.
"nada de novo no front..."
não se tem notícias de lá
porque não há embarcação para
a travessia...
vai-se à pé, à nado, sei lá!
o que há do outro lado?
a visão embaçou, ficou turva, cegou.
passo a passo, não!
meia volta. Não há como arriscar
mais cômodo é pra quem fica
o mais difícil é ficar no meio da correnteza
 aqui, ou no meio do caminho
 fica distante os jardins da juventude.
sem relógio não se ouve os toques das horas
se esquece do passado,
e o lado de lá?
cada vez mais inacessível.

 vou andando por aí
Até mais

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

chuva

a chuva refresca,
esfria o chão quente,
mata o calor,
mata a saudade,
mata o marasmo morno:
saldo do  dia quente
do dia cansado.
a chuva pede passagem
e todos os seres vivos
a reverenciam
e a noite vai... agradece
se refrescando
no embalo da cantiga
da chuva.
cheirando à terra molhada
me leva a memória
em tempos tão distantes
que ouço a minha mãe:
"vai logo se enxugar e coloca o pijama, menina!"
protegidamente do mundo
lá fora...adormeço,
em tempo de paz.

domingo, 3 de janeiro de 2010

delírios

o inimigo me persegue
corro de um lado pra outro
não vejo
atras da porta?
tropeço e caio.
Cadê?
escuta... escuta o barulho...
tá ali, só eu vejo?
atarraca os meus cabelos
credo, que arrepio...

olho pra cima , olho prá baixo.
de um lado, do outro...
enlouqueci/ alucinei/
ah.. agora sim
me jogo no chão
arrebento o joelho,
procuro no canto
enfim, mosquitinho sem vergonha!

Adeus, ano velho

lá vem o ano novo
e eu? cansada depois de muitos plantões
muda o ano
e as lembranças
daqueles que não vi
daqueles que se foram para sempre
daquele que não veio apesar de tão esperado.

 vai a minha menina de volta pra vida de trabalho
e de mulher
e eu fico
olhando pela fresta da janela
o ano que se inicia
tento adivinhar
o que ele me diz...
algumas coisas são certas:
a mesmice, o dia e a noite iguais.
Isto é matemático.
Não muda porque exige da espectadora as mudanças.
afora isso,
o imprevisivel:
talvez melhorias,
talvez o inevitável.
fazia tempo que eu não chorava...
me deu saudade do vizinho loiro
que mudou-se para a eternidade
levando a sua juventude
e nos deixando envelhecidos.

adeus, ano velho.
Nas palavras da Sarah,
"tudo recomeça (inacreditavelmente) igual"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

de longe

Encontro amigas
nunca vistas

encontro amigas
sem conhece-las

amigas de muito longe

melhor.
de perto 
talvez seríamos estranhas

domingo, 11 de outubro de 2009

inercia

Decisões não são fáceis. Principalmente quando queremos mudar o rumo de longos anos vividos igualmente. As vezes em alta as vezes em baixa mas na maioria das vezes sempre igual. Tem que ter coragem. Não há mais as ferramentas da época da juventude. Por exemplo: audácia. Hoje a gente conhece o medo. já conhece os caminhos. Já conhece os passos . E não vão dar em nada?

O grande aliado da inercia para o novo é o medo. Medo de um novo trabalho mesmo sentindo que o atual está te consumindo como um tumor que aos poucos te mata. Medo de um novo lugar mesmo sabendo que o atual não tem nada para te oferecer. Medo de não ter novos amigos mesmo não os tendo agora. Alguns antigos que sempre serão amigos mas, novos? Medo de pessoas ou de não ter pessoas ao seu redor.

A estrada antiga, conhecida em detalhes , está desgastada pelo tempo. É preciso encontrar outros caminhos para serem explorados, com vegetações e climas diferentes. Haverá tempestades, armadilhas, ladeiras, porem tudo novo. Nada vivido antes. Um caminho novinho...com outros formatos, outras cores, outras paisagens.

Carregando a antiga estrada vivida, há de se viver o novo. Vivemos o que há dentro de nós e se este grande inimigo da vida, o doutor em catatonia, o grande e Senhor Medo nos deixasse viver o novo?

A porta do tempo se abriria para mais anos de vida. Cinematicamente. Outros mundos, outras vidas, outras cores.

É só o que bastaria.