domingo, 16 de agosto de 2009

olhar

Olho para trás e vejo o passado.

O tempo, mesmo relativo, absolutamente claro dita o presente.

Melhor é ir sem olhar para trás.

Vai que o bicho te pega?

ou fica na espreita?

Adormeceu?

Não tem como se livrar.

O que passou, passou?

Coisa nenhuma , te pega adiante.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quero

estou com saudade
de amigos,
leite ninho com nescau,
de uma coberta bem quente,
de uma roda
de música e poesias,
de bricadeiras de universitários.
Advinho o filme
nas mímicas dos amigos ausentes
quero o calor das fogueiras
que fazíamos à beira do rio
e as noites que discutíamos
literatura, teatro, cinema.
Os casais abraçados,
e os amigos também protegidos
porque ali desperdiçávamos amor.
tudo compreendido,
não precisava explicar
claro como a noite
de lua cheia e o som do violão.
As vozes formavam o coral
da família amizade,
na cumplicidade dos desejos
de nossas idades.
Que paz era esta?

domingo, 12 de julho de 2009

sono

dorminhoca
deixa de minhocar
ideias minhas
e de mais nenhum
do mundo minhocando.
Jung ou Freud
intrusos dos sonhos
alheios.
o sono profundo
que nem sonhos produzem
saberia Jung analisar?
ou talvez Freud.
nem um nem outro...
não foram abertas as portas do porão
nem sonhos, nem dia
nem claro, nem escuro
mistura de noite
e madrugada
a vida passa correndo
debaixo das cobertas
desperta!

domingo, 21 de junho de 2009

O que aconteceu?

Faz muito tempo.

Não escrevo mais.

Te deixei de lado.

Deixei várias coisas,

algumas num passado distante

outras, recente.

Cresci.

Não me angustio mais.

estava com saudades.

Saudades de sentimentos,

neste tempo de nada

sentir.

Não sei.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

papoteclado

o dedo correndo solto

no teclado

parece febre, parece peste.

Hão de corrigir as palavras mal concordadas

mas acordadas, alertas

e não acordadas em

pensamentos, em alma, em vida...

não se faz acordo em assunto de alma

seguem as teclas...

insanas, impertinentes, afobando

e afogando .

liberta "o ar que respiro"

esse papo teclado ou essa tecla papada,

(esse papo nosso

tá pra lá de Marrakech,

já tá pra lá de Teerã...)

nem rã, nem cobras, nem lagartos,

nem todos os espíritos, nem todos os feitiços

este papo teclado

ou esta tecla papada ?

(nem todos os santos,

irão explicar...)

esse papo ... já está

de manhã...

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Minha Linda"

Onde está você agora, Minha Linda...
Em que ruas, que desertos se escondeu?
Por que mares já navegas Minha Linda...
Onde foi que a nossa história se perdeu?

Ah! Quase morro de esperar
Ah! Fico louco sem saber
Se tens tua vida em outras mãos,
porque não me liga pra dizer?

Nossa casa é feito um rio de solidão
Ora a água, ora a margem, rezo eu
Pra que os anjos que te cuidam,
cuidem bem
já que não posso cuidar
eu sendo eu!

Ah! Quase morro de esperar
Ah! Fico louco sem saber
Se tens tua vida em outras mãos,
porque não me liga pra dizer?



( letra e música de João Miguel Valencise )
site postado ao lado .Link www.valencise.com.br/musica- confiram!

dor

espantar a dor?

com qual remédio?

não aquela dor física.

aquela que ameaça

a alma e não lhe dá chances

de gritar por socorro.

sufoca nas entranhas o grito

cala a boca, emudece os lábios.

o que é isso?

Pessoa , o poeta fingi-dor,

finge que é dor

a dor que deveras sente.

e eu nem poeta, nem "fingidora",

fico com a minha dor

escancarada

na cara,

na raça.

vira minha

a dor da minha filha.

nela, propriamente dor

em mim

me invalida,

me descredencia,

me encurta a vida.