nem dedos,
nem braços
e quero então pensar?
nem pensar.
o cansaço é que determina
sem opções:
vá dormir!!
nem olhos sobraram...
nem dedos,
nem braços
e quero então pensar?
nem pensar.
o cansaço é que determina
sem opções:
vá dormir!!
nem olhos sobraram...
não há palavras
para definir "injusto"
é como se uma lâmina
atravessasse o peito
e a dor ali se instalasse para sempre
Não se substitui a vida, a alma de uma pessoa
substitui-se o profissional porém,
o ser, a luz, a dignidade
são insubstituíveis.
Perde, quem tem poder para tal
e jamais o poder único conseguirá
substituir o poder coletivo.
Pobre dele
a história mostra.
(às amigas)
"o apito... anuncia a hora da partida
Maria apita..."
compre seus sonhos senhores,
estou vendendo
quem vai comprar?
amores, quem deseja?
estou a desperdiçar...
compre os anos senhores
Quem vai ... querer?
Divida a vida, senhores
quem vai ... se atrever?
Ouça as verdades, senhores
quem vai ... ousar?
Manda notícias ruins
quem vai... remete-las?
prenda a alma no cativeiro,
quem vai ... se entrevar?
Alveja sua vida,
e vista-se sem cor para o ano
quem vai ... se perder?
Renasça de olhos novos
quem vai ... reviver?
samba na linha da vida,
dê um passo em falso
quem vai ... se arriscar?
pro ano novo?
destrua o velho, o ranço
quem vai ... se livrar?
a cor da noite é preta
a cor do dia é clara
a cor da vida é lilás
a cor do amor é neutra
a cor da coragem é rosa
a cor do sexo é vinho
a cor do gato é parda
a cor do burro?
fugiu...
disse-me um amigo:
"na lua moram os seus desejos"
por isso e aquilo
namoro a lua
agora ,
noite afora...
nem barco,
ajuda a fuga
dos insatisfeitos
feito bicho
fico a espreitar
a embarcação .
nem oceano nem mar
correm por lá...
quebrei a cara
na "geleira azul da solidão"
de amor ,
minha amiga entende
faz cartas ,
e escreve torto
em linhas certas.
diga a Cabral
que estou a resolver
se fico por aqui
ou vou pra portugal
"percorro as alamedas da memória"
acaba o ano
ando meio devagar
percebo que entro pelo cano
e novamente me engano
me desencanto
me confronto
com o mesmo tempo,
o mesmo passo
no descompasso
de tanto,
e tantas!
Tonta
procuro o ninho do conforto
e por não achar o chão
que corre , se levanta, afunda,
me apoio na parede
e só procuro uma mão
que ampare a queda
sem palavras.
No silencio do toque.
Na sutileza da morte.