quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

de novo, ano novo

"o apito... anuncia a hora da partida

Maria apita..."

compre seus sonhos senhores,

estou vendendo

quem vai comprar?

amores, quem deseja?

estou a desperdiçar...

compre os anos senhores

Quem vai ... querer?

Divida a vida, senhores

quem vai ... se atrever?

Ouça as verdades, senhores

quem vai ... ousar?

Manda notícias ruins

quem vai... remete-las?

prenda a alma no cativeiro,

quem vai ... se entrevar?

Alveja sua vida,

e vista-se sem cor para o ano

quem vai ... se perder?

Renasça de olhos novos

quem vai ... reviver?

samba na linha da vida,

dê um passo em falso

quem vai ... se arriscar?

pro ano novo?

destrua o velho, o ranço

quem vai ... se livrar?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

cor

a cor da noite é preta

a cor do dia é clara

a cor da vida é lilás

a cor do amor é neutra

a cor da coragem é rosa

a cor do sexo é vinho


a cor do gato é parda

a cor do burro?

fugiu...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

sono

disse-me um amigo:

"na lua moram os seus desejos"

por isso e aquilo

namoro a lua

agora ,

noite afora...

nem barco,

ajuda a fuga

dos insatisfeitos

feito bicho

fico a espreitar

a embarcação .

nem oceano nem mar

correm por lá...

quebrei a cara

na "geleira azul da solidão"

de amor ,

minha amiga entende

faz cartas ,

e escreve torto

em linhas certas.

diga a Cabral

que estou a resolver

se fico por aqui

ou vou pra portugal

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

fim de ano

"percorro as alamedas da memória"

acaba o ano

ando meio devagar

percebo que entro pelo cano

e novamente me engano

me desencanto

me confronto

com o mesmo tempo,

o mesmo passo

no descompasso

de tanto,

e tantas!

Tonta

procuro o ninho do conforto

e por não achar o chão

que corre , se levanta, afunda,

me apoio na parede

e só procuro uma mão

que ampare a queda

sem palavras.

No silencio do toque.

Na sutileza da morte.

domingo, 16 de novembro de 2008

passei pela calçada

olhando as vitrines

a mistura de cor me embaralhou a vista.


Preciso de algo

da cor da amizade,

da forma do amor,

da textura da delicadeza...

não encontrei.



sexta-feira, 31 de outubro de 2008

não fui

percorro o dia.

preguiçosamente,

saio da rotina.

descanso os olhos nas plantas do jardim

e lavo a alma

nos livros de poesias.

Como é bom

esperar a chuva

olhando pela janela

do quarto.

la fora, primavera afora,

vão os que não notam

nem as flores,

nem os jardins

incômodo?

só a chuva que ameaça vir...

para mim,

sentir o cheiro da terra molhada

me deixa "em graça"

comigo e o mundo,

não fui

venci a rotina!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

incompatível: vida x cotidiano

quanto mais penso
mais me complico
descomplicando, deixei de pensar.
quero só sonhar!
viver a vida supérflua,
periférica
de alegrias,
teatro e fantasias...
ganho mais anos de vida,
na qualidade
e quantidade de viver
não haverá balança, nem calendário,
nem polegada.
medida nenhuma
haverá de mensurar
a vida vivida
camuflada
de fantasias coloridas.
Impecável ,
a vida
se veste de gala
para dançar
no grande salão do cotidiano.