domingo, 16 de novembro de 2008

passei pela calçada

olhando as vitrines

a mistura de cor me embaralhou a vista.


Preciso de algo

da cor da amizade,

da forma do amor,

da textura da delicadeza...

não encontrei.



sexta-feira, 31 de outubro de 2008

não fui

percorro o dia.

preguiçosamente,

saio da rotina.

descanso os olhos nas plantas do jardim

e lavo a alma

nos livros de poesias.

Como é bom

esperar a chuva

olhando pela janela

do quarto.

la fora, primavera afora,

vão os que não notam

nem as flores,

nem os jardins

incômodo?

só a chuva que ameaça vir...

para mim,

sentir o cheiro da terra molhada

me deixa "em graça"

comigo e o mundo,

não fui

venci a rotina!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

incompatível: vida x cotidiano

quanto mais penso
mais me complico
descomplicando, deixei de pensar.
quero só sonhar!
viver a vida supérflua,
periférica
de alegrias,
teatro e fantasias...
ganho mais anos de vida,
na qualidade
e quantidade de viver
não haverá balança, nem calendário,
nem polegada.
medida nenhuma
haverá de mensurar
a vida vivida
camuflada
de fantasias coloridas.
Impecável ,
a vida
se veste de gala
para dançar
no grande salão do cotidiano.

sábado, 4 de outubro de 2008

nada de novo

nada encontrei

neste sábado.

a vida está suspensa no ar

não sei em que direção devo voar

sem asas me esborracho

no canto , no pranto

no tempo, no templo,

no mar ou em qualquer lugar...

invento asas, e livre sobrevôo

a vida deixada lá trás

não lilás,

nem neon,

nem prata,

nem carvão.

Inócua, ecoa no vácuo?

se vácuo, não há som

silenciosamente,

vejo e deixo

a vida passar...

domingo, 7 de setembro de 2008

céu

salto pra pegar a lua

e me ralo toda

numa nuvenzinha

sem vergonha!

lá se vai a esperança

no rabo da

pipa,

desenhando círculos

no azul do céu

nem eu,

nem você.

A pipa enrolou-se

no telhado

molhado .

pingos

de chuva,

a gota última

pingou a esperança

homeopática...

na noite

há perfume de estrelas

sem vento, sem chuva

eu me perfumo

de estrelas,

à sombra da lua.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

a vida à mão

rabisca com suas mãos
a arte de ser feliz.
a vida em riscos e rabiscos
toma a forma do autor .
não haverá igual
nem aqui, nem distante.
É ímpar o desenho livre
de quem o faz, à mão.
livre e bela
as cores, as formas
pintadas na tela .
ou a argila aos poucos
tomando a forma
dos sentimentos do autor.
à mão e à coração...
a forma e o sentimento
na branca tela,
mistura a tinta
à emoção...

(para a sorte das almas vazias de artes)
para os amigos: Dedé, Cleido , Novaes, Alzira, Alaor ...

sábado, 30 de agosto de 2008

Desconsidere

no fim do inverno

um frio , frio demais

estou sozinha com o meu "bem estar"

bem por estar comigo

e comigo discutir o que não vai bem.

não vai bem este desconforto

de ventania fora de época

vem a tempestade?

sei lá!

poderia vir

e arrumar o desarrumado

o desarrimo, o desatino,

que nem ata e nem desata

atravessa na bagunça da vida...

quero fazer a lista dos amigos

e as malas para o amanhã

no temporal,

no tempo,

nos destroços,

na tempestade.