passei pela calçada
olhando as vitrines
a mistura de cor me embaralhou a vista.
Preciso de algo
da cor da amizade,
da forma do amor,
da textura da delicadeza...
não encontrei.
percorro o dia.
preguiçosamente,
saio da rotina.
descanso os olhos nas plantas do jardim
e lavo a alma
nos livros de poesias.
Como é bom
esperar a chuva
olhando pela janela
do quarto.
la fora, primavera afora,
vão os que não notam
nem as flores,
nem os jardins
incômodo?
só a chuva que ameaça vir...
para mim,
sentir o cheiro da terra molhada
me deixa "em graça"
comigo e o mundo,
não fui
venci a rotina!
nada encontrei
neste sábado.
a vida está suspensa no ar
não sei em que direção devo voar
sem asas me esborracho
no canto , no pranto
no tempo, no templo,
no mar ou em qualquer lugar...
invento asas, e livre sobrevôo
a vida deixada lá trás
não lilás,
nem neon,
nem prata,
nem carvão.
Inócua, ecoa no vácuo?
se vácuo, não há som
silenciosamente,
vejo e deixo
a vida passar...
salto pra pegar a lua
e me ralo toda
numa nuvenzinha
sem vergonha!
lá se vai a esperança
no rabo da
pipa,
desenhando círculos
no azul do céu
nem eu,
nem você.
A pipa enrolou-se
no telhado
molhado .
pingos
de chuva,
a gota última
pingou a esperança
homeopática...
na noite
há perfume de estrelas
sem vento, sem chuva
eu me perfumo
de estrelas,
à sombra da lua.
no fim do inverno
um frio , frio demais
estou sozinha com o meu "bem estar"
bem por estar comigo
e comigo discutir o que não vai bem.
não vai bem este desconforto
de ventania fora de época
vem a tempestade?
sei lá!
poderia vir
e arrumar o desarrumado
o desarrimo, o desatino,
que nem ata e nem desata
atravessa na bagunça da vida...
quero fazer a lista dos amigos
e as malas para o amanhã
no temporal,
no tempo,
nos destroços,
na tempestade.