domingo, 7 de setembro de 2008

céu

salto pra pegar a lua

e me ralo toda

numa nuvenzinha

sem vergonha!

lá se vai a esperança

no rabo da

pipa,

desenhando círculos

no azul do céu

nem eu,

nem você.

A pipa enrolou-se

no telhado

molhado .

pingos

de chuva,

a gota última

pingou a esperança

homeopática...

na noite

há perfume de estrelas

sem vento, sem chuva

eu me perfumo

de estrelas,

à sombra da lua.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

a vida à mão

rabisca com suas mãos
a arte de ser feliz.
a vida em riscos e rabiscos
toma a forma do autor .
não haverá igual
nem aqui, nem distante.
É ímpar o desenho livre
de quem o faz, à mão.
livre e bela
as cores, as formas
pintadas na tela .
ou a argila aos poucos
tomando a forma
dos sentimentos do autor.
à mão e à coração...
a forma e o sentimento
na branca tela,
mistura a tinta
à emoção...

(para a sorte das almas vazias de artes)
para os amigos: Dedé, Cleido , Novaes, Alzira, Alaor ...

sábado, 30 de agosto de 2008

Desconsidere

no fim do inverno

um frio , frio demais

estou sozinha com o meu "bem estar"

bem por estar comigo

e comigo discutir o que não vai bem.

não vai bem este desconforto

de ventania fora de época

vem a tempestade?

sei lá!

poderia vir

e arrumar o desarrumado

o desarrimo, o desatino,

que nem ata e nem desata

atravessa na bagunça da vida...

quero fazer a lista dos amigos

e as malas para o amanhã

no temporal,

no tempo,

nos destroços,

na tempestade.

domingo, 24 de agosto de 2008

"quereres"

querer muito, complica?
contentar-se com o pouco ,
fica pouco.
mas, e com o nada?
Acovarda -se aquele
que nada muda,
diante do nada.
E a vida?
"Só tem uma, companheiro..."

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

agosto

"cantar...canta uma esperança"

choveu em agosto,

em mês de cachorro louco,

florescem as orquídeas

no meu quintal...

e se chove em agosto ,

terei mimos, petúnias,

violetas, primaveras

flor de maio , em agosto.

oposto a tudo...

o broto

da vida semente

semeada em ventre

da mais moça

inventa a festa

dos "entes",

e me perpetua

na vida que estou de passagem.

palavras

as vezes preciso das palavras

nem certas, nem erradas.

palavras são como alimento

engordam, nutrem a alma

quero a palavra escrita

e não mais a falada

a falada esconde a alma

a escrita,

dita a alma.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sono

Fui ao bar, comi arroz com grão de bico
e coalhada.
encontrei a Zezé, o Geraldo
a Dedé.
pedi café.
falei com o sr Pedro
e terminei a quarta
com gosto de vinho
e um cansaço de 12 horas
na vertical.
caio na cama,
descanso o corpo.
e a cabeça?
lá em Brasília,
torcendo pro meu amigo trazer
o prêmio de melhor trabalho.
Quero viajar de novo
dançar tango no Caminito
ir à Ilha Bela,
e caminhar até Bonetes
passando pela cachoeira
e pelo Julião.
Na mala levo a bagagem:
poemas do Pessoa,
crônicas do Cony,
palavras do Rubem Alves,
psicologia jungiana da Clarissa,
frases do Leminski,
filosofia do Niezstche´
música do joão,
uma água de côco,
e pouca roupa,
pra não tomar
o lugar dos sonhos,
dos embrulhos de emoções,
dos pacotes de contos,
do filme da memória
da fotografia do passado.
Será que o amor
ao nível do mar,
rolando nas ondas,
batendo nas pedras,
enroscando no chapéu - de - sol
acabou se queimando na areia da praia?