sábado, 28 de agosto de 2010

reflexão

Enfiei a cara no trabalho
 num curso de psiquiatria e outro de gestão em saúde pública.
Enjoei dos três... o curso de psiquiatria virou chororô de colegas
que nada podem fazer
porque precisa disso e daquilo...
como estou seletiva
e com certeza absoluta que nada irá mudar no cuidado com
o doente mental , penso em não voltar...
O trabalho... bem, sou apaixonada pelo que faço
mas estou me sentindo cansada.
a saúde está enrolada e não conectada em rede.
Desconectada, a coisa não anda. Ficamos atados.Cada um no seu mundinho. Eu também.
Mundo da urgência, o mundo  unidade da família, do posto, do SAMU, do especialista, do hospital
e aí vai... sei lá pra onde.
E o doente? Dança nos vários mundos, feitos por nós.

O curso de gestão às vezes me conforta outras, me deixa com cara de paisagem; Hã???
To querendo ir para Torrinha, na casa do lago e ficar ouvindo os passarinhos...
nada melhor que a natureza e um livro.
Ficaria por lá.

domingo, 22 de agosto de 2010

tempo

penso da janela de minha casa
quando criança.
e de repente
na minha memória floresce
margaridas brancas...
mal me quer,
bem me quer ...

Oi, Como vai?

senti saudades
está muito difícil te reencontrar...
voce se embotou,
diminuiu,
sumiu.
não sobrou coragem.
aliás,
nem sei porque retornou
ajeita-se no porão do inconsciente
aquieta-se
nem pablo, nem pessoa
neste tempo, a vida estacionou.

domingo, 14 de março de 2010

Até...

do lado de cá
sem novidades.
"nada de novo no front..."
não se tem notícias de lá
porque não há embarcação para
a travessia...
vai-se à pé, à nado, sei lá!
o que há do outro lado?
a visão embaçou, ficou turva, cegou.
passo a passo, não!
meia volta. Não há como arriscar
mais cômodo é pra quem fica
o mais difícil é ficar no meio da correnteza
 aqui, ou no meio do caminho
 fica distante os jardins da juventude.
sem relógio não se ouve os toques das horas
se esquece do passado,
e o lado de lá?
cada vez mais inacessível.

 vou andando por aí
Até mais

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

chuva

a chuva refresca,
esfria o chão quente,
mata o calor,
mata a saudade,
mata o marasmo morno:
saldo do  dia quente
do dia cansado.
a chuva pede passagem
e todos os seres vivos
a reverenciam
e a noite vai... agradece
se refrescando
no embalo da cantiga
da chuva.
cheirando à terra molhada
me leva a memória
em tempos tão distantes
que ouço a minha mãe:
"vai logo se enxugar e coloca o pijama, menina!"
protegidamente do mundo
lá fora...adormeço,
em tempo de paz.

domingo, 3 de janeiro de 2010

delírios

o inimigo me persegue
corro de um lado pra outro
não vejo
atras da porta?
tropeço e caio.
Cadê?
escuta... escuta o barulho...
tá ali, só eu vejo?
atarraca os meus cabelos
credo, que arrepio...

olho pra cima , olho prá baixo.
de um lado, do outro...
enlouqueci/ alucinei/
ah.. agora sim
me jogo no chão
arrebento o joelho,
procuro no canto
enfim, mosquitinho sem vergonha!

Adeus, ano velho

lá vem o ano novo
e eu? cansada depois de muitos plantões
muda o ano
e as lembranças
daqueles que não vi
daqueles que se foram para sempre
daquele que não veio apesar de tão esperado.

 vai a minha menina de volta pra vida de trabalho
e de mulher
e eu fico
olhando pela fresta da janela
o ano que se inicia
tento adivinhar
o que ele me diz...
algumas coisas são certas:
a mesmice, o dia e a noite iguais.
Isto é matemático.
Não muda porque exige da espectadora as mudanças.
afora isso,
o imprevisivel:
talvez melhorias,
talvez o inevitável.
fazia tempo que eu não chorava...
me deu saudade do vizinho loiro
que mudou-se para a eternidade
levando a sua juventude
e nos deixando envelhecidos.

adeus, ano velho.
Nas palavras da Sarah,
"tudo recomeça (inacreditavelmente) igual"