sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

cor

a cor da noite é preta

a cor do dia é clara

a cor da vida é lilás

a cor do amor é neutra

a cor da coragem é rosa

a cor do sexo é vinho


a cor do gato é parda

a cor do burro?

fugiu...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

sono

disse-me um amigo:

"na lua moram os seus desejos"

por isso e aquilo

namoro a lua

agora ,

noite afora...

nem barco,

ajuda a fuga

dos insatisfeitos

feito bicho

fico a espreitar

a embarcação .

nem oceano nem mar

correm por lá...

quebrei a cara

na "geleira azul da solidão"

de amor ,

minha amiga entende

faz cartas ,

e escreve torto

em linhas certas.

diga a Cabral

que estou a resolver

se fico por aqui

ou vou pra portugal

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

fim de ano

"percorro as alamedas da memória"

acaba o ano

ando meio devagar

percebo que entro pelo cano

e novamente me engano

me desencanto

me confronto

com o mesmo tempo,

o mesmo passo

no descompasso

de tanto,

e tantas!

Tonta

procuro o ninho do conforto

e por não achar o chão

que corre , se levanta, afunda,

me apoio na parede

e só procuro uma mão

que ampare a queda

sem palavras.

No silencio do toque.

Na sutileza da morte.

domingo, 16 de novembro de 2008

passei pela calçada

olhando as vitrines

a mistura de cor me embaralhou a vista.


Preciso de algo

da cor da amizade,

da forma do amor,

da textura da delicadeza...

não encontrei.



sexta-feira, 31 de outubro de 2008

não fui

percorro o dia.

preguiçosamente,

saio da rotina.

descanso os olhos nas plantas do jardim

e lavo a alma

nos livros de poesias.

Como é bom

esperar a chuva

olhando pela janela

do quarto.

la fora, primavera afora,

vão os que não notam

nem as flores,

nem os jardins

incômodo?

só a chuva que ameaça vir...

para mim,

sentir o cheiro da terra molhada

me deixa "em graça"

comigo e o mundo,

não fui

venci a rotina!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

incompatível: vida x cotidiano

quanto mais penso
mais me complico
descomplicando, deixei de pensar.
quero só sonhar!
viver a vida supérflua,
periférica
de alegrias,
teatro e fantasias...
ganho mais anos de vida,
na qualidade
e quantidade de viver
não haverá balança, nem calendário,
nem polegada.
medida nenhuma
haverá de mensurar
a vida vivida
camuflada
de fantasias coloridas.
Impecável ,
a vida
se veste de gala
para dançar
no grande salão do cotidiano.

sábado, 4 de outubro de 2008

nada de novo

nada encontrei

neste sábado.

a vida está suspensa no ar

não sei em que direção devo voar

sem asas me esborracho

no canto , no pranto

no tempo, no templo,

no mar ou em qualquer lugar...

invento asas, e livre sobrevôo

a vida deixada lá trás

não lilás,

nem neon,

nem prata,

nem carvão.

Inócua, ecoa no vácuo?

se vácuo, não há som

silenciosamente,

vejo e deixo

a vida passar...