a cor da noite é preta
a cor do dia é clara
a cor da vida é lilás
a cor do amor é neutra
a cor da coragem é rosa
a cor do sexo é vinho
a cor do gato é parda
a cor do burro?
fugiu...
a cor da noite é preta
a cor do dia é clara
a cor da vida é lilás
a cor do amor é neutra
a cor da coragem é rosa
a cor do sexo é vinho
a cor do gato é parda
a cor do burro?
fugiu...
disse-me um amigo:
"na lua moram os seus desejos"
por isso e aquilo
namoro a lua
agora ,
noite afora...
nem barco,
ajuda a fuga
dos insatisfeitos
feito bicho
fico a espreitar
a embarcação .
nem oceano nem mar
correm por lá...
quebrei a cara
na "geleira azul da solidão"
de amor ,
minha amiga entende
faz cartas ,
e escreve torto
em linhas certas.
diga a Cabral
que estou a resolver
se fico por aqui
ou vou pra portugal
"percorro as alamedas da memória"
acaba o ano
ando meio devagar
percebo que entro pelo cano
e novamente me engano
me desencanto
me confronto
com o mesmo tempo,
o mesmo passo
no descompasso
de tanto,
e tantas!
Tonta
procuro o ninho do conforto
e por não achar o chão
que corre , se levanta, afunda,
me apoio na parede
e só procuro uma mão
que ampare a queda
sem palavras.
No silencio do toque.
Na sutileza da morte.
percorro o dia.
preguiçosamente,
saio da rotina.
descanso os olhos nas plantas do jardim
e lavo a alma
nos livros de poesias.
Como é bom
esperar a chuva
olhando pela janela
do quarto.
la fora, primavera afora,
vão os que não notam
nem as flores,
nem os jardins
incômodo?
só a chuva que ameaça vir...
para mim,
sentir o cheiro da terra molhada
me deixa "em graça"
comigo e o mundo,
não fui
venci a rotina!
nada encontrei
neste sábado.
a vida está suspensa no ar
não sei em que direção devo voar
sem asas me esborracho
no canto , no pranto
no tempo, no templo,
no mar ou em qualquer lugar...
invento asas, e livre sobrevôo
a vida deixada lá trás
não lilás,
nem neon,
nem prata,
nem carvão.
Inócua, ecoa no vácuo?
se vácuo, não há som
silenciosamente,
vejo e deixo
a vida passar...