quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Sono
e coalhada.
encontrei a Zezé, o Geraldo
a Dedé.
pedi café.
falei com o sr Pedro
e terminei a quarta
com gosto de vinho
e um cansaço de 12 horas
na vertical.
caio na cama,
descanso o corpo.
e a cabeça?
lá em Brasília,
torcendo pro meu amigo trazer
o prêmio de melhor trabalho.
Quero viajar de novo
dançar tango no Caminito
ir à Ilha Bela,
e caminhar até Bonetes
passando pela cachoeira
e pelo Julião.
Na mala levo a bagagem:
poemas do Pessoa,
crônicas do Cony,
palavras do Rubem Alves,
psicologia jungiana da Clarissa,
frases do Leminski,
filosofia do Niezstche´
música do joão,
uma água de côco,
e pouca roupa,
pra não tomar
o lugar dos sonhos,
dos embrulhos de emoções,
dos pacotes de contos,
do filme da memória
da fotografia do passado.
Será que o amor
ao nível do mar,
rolando nas ondas,
batendo nas pedras,
enroscando no chapéu - de - sol
acabou se queimando na areia da praia?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Reflexão
Começaria tudo de novo?
Sem nada mudar, nada, nada?
sim, me soa falso.
Como começar de novo uma vida já vivida ?
e conhecendo
o bem feito,
o não feito
e o mau feito?
Como assim? Tudo igual ? Sem mudar ?
e os momentos em que a mente
preocupada, desconfiada,
trabalha dia a dia para esquecê-los?
Quem se disporia?
Viver todos os momentos já vividos...
Penso , viver o vivido
sem mudar absolutamente nada?
Quem, humano, se arriscaria?
uma lista de acertos
e não acertos para se reviver , óbvio?
a belíssima "Começaria tudo outra vez" valeria?
A vida vivida de novo, sem mudar nada!
Quem ousaria?
certeza de tudo, de verdade,
repetir a vida
sem modifica-la , argumentem...
Estou curiosa.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
cansaço
não há o que perder
não haverá de perdoar
dá licença,
passa a limpo,
passa à ferro.
Passo a passo,
há de vir
o que se é pra viver.
nada de esperar ,
que seja
agora
feita a hora.
sábado, 26 de julho de 2008
nenhum
divido os caminhos
nem lá
nem cá
nem além...
fico na linha do trem
ou do nem?
se a primavera está
por vir
fico a espera dela
pois virão flores, perfumes.
a cidade se amarelará
de amarelos ipês.
esperarei a luz
valsando nas frestas
da minha janela,
para dar boas vindas
à nova cor do dia
ao novo perfume da noite...
e minha mãe me dizia:
"menina, você vai pegar uma friagem na garagem"
e eu criança , imaginava
que garagem é esta, que esfria?
não queria me arriscar,
vestia minha blusa de flanela,
flanelada no avesso, com flores miúdas
do lado direito, me enfeitando de mulher...
nem sei,
nem como, mas
esse tempo ... já se foi ?
(esquecendo esse frio de hoje, no corpo , na alma...)
domingo, 20 de julho de 2008
Do alto
do alto , verde e azul e negra e amarela
Manaus, Manaos, mais nada...
nem é preciso...
a exuberância da água
fala por mim, por você...
enquanto me afasto da vastidão verde
me aproximo
das luzes, e são tantas,
que cobre São Paulo com uma manta
de lantejoulas e missangas coloridas.
Uma, veste verde com faixas negras e amarelas.
Outra, brinca de princesa e se enfeita de brilhos.
Ambas, despejam em mim o verde e as luzes
e me ensinam que a vida é muito mais...
quarta-feira, 9 de julho de 2008
diferente
O feriado acabou
e na noite de nove,
penso no dez.
nada diferente, se não fosse
a alegria da viagem
sonhada.
que bom!
dia 13 tá aí
e quem disse que é dia de azar?
pra mim é dia de voar...
Mudança?
volto para o nada
nada que represente vida
vida não combina
com o cotidiano de viver as mortes.
Cansei.
não quero conviver
tão pouco vivenciar
o que deixou de ser vida...
nem lágrimas, nem palavras
hão de consolar.
não tem justificativa,
não tem juizo
não é justo...
não há porque entender a morte
pior aquela cujo o coração insiste
quando tudo mais já morreu.
por que insisto eu em ser a guardiã da vida?
passo os dias espantando a morte,
Dou-lhe rasteiras,
apago os rastros.
Dissimulada
traiçoeira, chega ela:
altiva, negra, imbatível,
gargalhando,
me atropela.
nem poemas, nem o amor perdido
nem a perda do "eu"
ou superego
dos caminhos,
dos limites...
nada justifica.
não quero mais
cansei.
quero cuidar de jardins.
quero plantar flores.
enfeitar a casa