terça-feira, 15 de setembro de 2009

ponte

passei por esta ponte

tão estreita

nem medo senti,

nem percebi

a agua que corria

no riacho debaixo dela

esta ponte permite

apenas pé ante pé

nem me desequilibrei

um fio d'agua

sem perigo

nem hesito

já conheço os passos

passo de olhos vendados

setembros

setembros

lembram-me

de jardins de margaridas

e pés de jabuticabas.

as frutas negras, reluzentes

grudadinhas umas as outras.

alguém já viu alguma árvore mais acolhedora do que

uma jaboticabeira?

e um jardim mais singelo

como os de margaridas brancas

de "miolo" amarelo?

as jabiticabas negras e doces

- mel negro-

há sempre uma forquilha em forma de banco,

um colo

pra você se sentar

e se deliciar com estas frutas

tão doces,

uma, depois outra, e outra, mais uma

não tem fim.

e você vai se ajeitando no banco improvisado

que aquela árvore te oferece

estica o braço e apanha mais uma

agora escolhida, no capricho

jabuticabeiras agregam,

margaridas também.

Um tapete bordado : branco e amarelo.

Uma flor bem junta a outra

resplandece aos sóis dos setembros.

As jabuticabas, de flores brancas

tornaram -se frutos negros, doces, licorosos

Redondos e perfeitos.

penso em Deus,

quero uma conversa com Ele.

jabuticabas e margaridas

me colocam perto de Deus

E o perfume desta mistura?

Não há em outros cantos do mundo.

é só aqui, neste país.

Eu e Deus,

enfim um reencontro.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"feeling"

comemoro a volta do amigo
que deixara de escrever.
Talvez até escrevesse,
e não mais postasse no blog.
ou talvez, passou por um período
de reflexão, buscando um guru...
que nada, ele se encheu
desistiu das palavras
e resolveu tocar um instrumento.
Algo muito nobre
o distanciou das míseras teclinhas do MC
tenho certeza . Foi isso.
Uma grande criação porque este meu amigo é criador.
Ele cria histórias
Desenha as histórias
publica-as.
Nada demais, nem de menos
Foi uma retirada para
refletir, criar, desenhar,
colocar em telas?
fazer show num teatro de arena?
saiu de fininho, sem se despedir
por motivos justos
maiores,
aqueles que mexem com as entranhas.
Coisa de pele
porque a palavra que o define é "feeling"
desde de criança,
desde sempre de sua existência.
Sorte minha :
ele retornou para os escritos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Senhora Ansiedade

Senhora do agora , do já.

A ansiedade não acalma

desconhece a paz,

desequilibra o ambiente,

amaldiçoa os cérebros lentos

os passos calmos

um após outro...

Ela tem pressa, não permite histórias longas,

discursos prolixos.

ela atropela, é sem educação.

coloca as palavras na boca de quem inicia a frase

ou pior, termina a frase do outro.

anda e vai falando

ou fala e vai andando

briga com o tempo, instiga as decisões.

sem paciência, sofre de "dispnéia"

Não se senta num banco

para esperar a sua vez na fila

jogando conversa fora...

Ela nem conversa!

fica roendo as unhas,

balançando as pernas.

anda de um lado para outro,

resmunga,

mostra os dentes, tem arrepios, suores

empurra ou dá rasteiras

e sai correndo atrás do nada.

Sofre de dor de estômago,

coração acelerado,

engasgamento,

"peito apertado".

Não dá o braço a torcer

não chora nunca

É a rainha da cobrança.

Gosta da pergunta: Terminou?

tem olhos arregalados,

abomina o sono,

e vomita quando é pressionada.

Coitada,

não suporta pensar em si mesma.

A ansiedade morre de arritmia

ou entrestecida,

envelhece aos trinta.

domingo, 16 de agosto de 2009

olhar

Olho para trás e vejo o passado.

O tempo, mesmo relativo, absolutamente claro dita o presente.

Melhor é ir sem olhar para trás.

Vai que o bicho te pega?

ou fica na espreita?

Adormeceu?

Não tem como se livrar.

O que passou, passou?

Coisa nenhuma , te pega adiante.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quero

estou com saudade
de amigos,
leite ninho com nescau,
de uma coberta bem quente,
de uma roda
de música e poesias,
de bricadeiras de universitários.
Advinho o filme
nas mímicas dos amigos ausentes
quero o calor das fogueiras
que fazíamos à beira do rio
e as noites que discutíamos
literatura, teatro, cinema.
Os casais abraçados,
e os amigos também protegidos
porque ali desperdiçávamos amor.
tudo compreendido,
não precisava explicar
claro como a noite
de lua cheia e o som do violão.
As vozes formavam o coral
da família amizade,
na cumplicidade dos desejos
de nossas idades.
Que paz era esta?

domingo, 12 de julho de 2009

sono

dorminhoca
deixa de minhocar
ideias minhas
e de mais nenhum
do mundo minhocando.
Jung ou Freud
intrusos dos sonhos
alheios.
o sono profundo
que nem sonhos produzem
saberia Jung analisar?
ou talvez Freud.
nem um nem outro...
não foram abertas as portas do porão
nem sonhos, nem dia
nem claro, nem escuro
mistura de noite
e madrugada
a vida passa correndo
debaixo das cobertas
desperta!